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terça-feira, 14 de dezembro de 2010
sábado, 4 de dezembro de 2010
já é verão?
seu suco de morango no meu short branco
as cinzas do meu cigarro no rasgo do teu jeans.
me vinguei
e você sorriu de volta
Cinza-qualquer-coisa
Então, eu coloquei meu velho moletom, aquele que você não conheceu, o meu preferido, porque bem no dia em que eu te esperava com ele, você não foi mais. Até foi. Depois. Outros dias. Mas nunca mais dividimos a minha cama. Nunca mais a intimidade das roupas velhas ou do encontrar de corpos nus durante a noite. Gostava quando tinha você embaixo do cobertor comigo ou quando tinha a gente morrendo de calor e evitando os lençóis. Enfim...
Coloquei meu velho moletom, liguei a vitrola e... A nossa música. Rituais da saudade. De quem leva um pé na bunda, não se livra do amor, nem das lembranças. E sente que às vezes é preciso deixar o pensamento tomar o rumo que procura há dias depois de tanto disfarçar que não pensa mais. Fui lá viver nós dois na memória. Você sendo apresentado ao sofá da sala às cinco da manhã. Rindo da minha calça rosa, que, vai, não tem nada a ver comigo mesmo. E tantas outras coisas que vivemos no meu apartamento, embora tenha sido no seu que a gente passou a maior parte desse nosso amor de inverno.
O velho moletom não esquenta tanto. Velho, né? E dá saudade do abraço, porque seu abraço esquentava. Queimava. E eu cabia nele e me encaixava de tal modo que parecia ter sido feito pra mim. Quantas vezes te disse isso... Bem mais do que disse 'eu te amo'. Deveria ter dito mais. Deveria ter dito antes. Eu já senti que era amor tão de cara. Aí sobrou dizer eu te amo por aí, para as paredes, para as cartas que não foram entregues, para as preces que olha só, eu tão descrente, dei de fazer.
E fiquei ali, remoendo as coisas não ditas, as que foram ditas demais, as que nem deveriam ter sido mencionadas, as que eu queria continuar dizendo. Remoendo que, apesar de me gostar tanto naquele moletom - não porque fico bonita, afinal ele é velho e meio feio, mas porque fico muito eu mesma e mais manhosa que o normal - você nunca vai me ver assim. Então, bem, era hora de desligar a música que já repetia há muito, parar de pensar e fugir mais um pouco. De você e de mim.



