sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Extravio

Esquecidas em algum canto. Não mais minhas. Nem suas. De ninguém. Ficaram assim... Perdidas. Eu, perdida. Essa minha mania de não registrar cartas. Para onde foram? Para onde foi? Confirmei o CEP. Estava certo. Estava tudo tão certo. Mas elas não chegaram. Ou talvez tenham ficado perdidas entre a mudança da mesa para a nova caixinha de correspondência. A merda da nova caixinha de correspondência. Ou talvez eu nunca as tenha escrito. Talvez elas nunca tenham existido. Porque elas não são mais minhas quando as dou pra você. E se você não as recebe... Não existem. Porque as palavras existem quando são lidas. Relidas. Sentidas. Quando existem para alguém. Para mim elas não existem. Para você elas não existem. Morreram. Morreu. Morremos. Pra que? Merda, pra que? Tanto. E depois tão pouco. Sobrando versos, declarações, histórias. No papel. No lixo.

2 comentários:

Anônimo disse...

São reciclaveis, no mínimo.

Acredite, manda um SMS.

Um tempo livre.

Manfra

Th-Alice Star disse...

É horrível ter aqueles papéis inúteis em casa. Palavras que não são mais nossas, nunca chegaram ao destinatário correto e se tornam de ninguém. Torna-se lixo, papel mal usado, um mero desperdício. É ruim quando se torna tristeza, sentimento amassado. :/ Parabéns pelo texto. Lindo como tudo que você escreve. Continue sempre, sou sua fã. Beijos.