segunda-feira, 30 de agosto de 2010

14 ou 15 anos

Faculdade e colégio. No intervalo todo mundo se encontra. A praça de alimentação lota. Os pombos matando por uma casquinha de croissant, uma autêntica casquinha Benjamin Abraão, veja lá, não é qualquer casquinha. Croissant aos pombos!


Pombos à parte (embora eles continuem disputando migalhas sob minha cadeira), me ponho a observar. Tem tudo que é tipo ali. Os meninos Justin Bieber, os meninos que odeiam e fazem questão de parecer o oposto e os que tão cagando pra isso aí. As meninas feias, as bonitas, as que gostam dos meninos Juntin Bieber, aquelas que transformam o uniforme em roupa de balada e ficam paquerando pessoal da faculdade quando ainda elas nem sairam da sétima e as meninas que não estão nem aí.

Tem também os casais. Emos. Burgueses assumidos. Burgueses aternativos. Burgueses. Tipos estranhos. E tem aqueles que discutem a relação no intervalo. No recreio - melhor assim. Recreio, minha gente, recreio! Recreio é pra comer, pra falar bobagem, mal de professor, da vida e da prova do dia seguinte. Discutir a relação é dose.

Mas lá estavam eles, encostados na lixeira em frente ao Benja (depois de quatro anos, você cria intimidade com o tio do pão). Clássico. Ela meio aos prantos. Tão linda. Branquinha. Cabelo preto. Mãos fiiinas. Eu sempre reparo em mãos. Ele meio exibido, orgulhoso do choro de sua pequena 'amada', olhando para todos os lados para se certificar de que seus amigos estavam acompanhando. Alguém chorando por você, quando você ainda usa uniforme de colégio... Pô, motivo de orgulho.

Mas ela chorava engraçado, sorrindo. Tão nova e cheia das manhas, fiquei observando, ouvindo a conversa. Cara de pau. Dava pra ouvir. Ela tava era fazendo charme. Pedindo atenção. Queria comover aquele pivete mauricinho. Quando somos mais novas, ahhh meus amigos, a gente chora por qualquer Zé Bunda... Choro meio fingido, então... Vai que vai...

E embora eu já estivesse satisfeita com o que observava. Precipitei-me em achar que aquilo era o ápice da conversa. Aquele 'você não gosta de mim', 'claro que gosto', 'então me beija... não não me beija'. Para minha surpresa eis que a moçoila solta, assim, com vontade mesmo o tal do 'eu te amo'. Nessa hora até o pombo desencanou do croissant e eu desencanei da vida.

Eu te amo. Eu te amo... Aquela ceninha de recreio podia ter tudo menos amor. No máximo falta de amor próprio. Aquele eu te amo de quem não ama, só quer chamar atenção. E amor lá é pra chamar atenção? Amor é a dois. Intimidade. 'Coisa nossa', eu diria. O amor não estava ali. Não naquela menina querendo chamar atenção do seu namoradinho. Muito menos no namoradinho que olhava pra bunda de sua coleguinha de sala.

Um tapa na cara, na minha cara. Incoformada comentei com os amigos. Eles disseram que é normal, acontece. Não acontece. Ali não aconteceu nada. Ali simplesmente falou-se. Como quem joga uma casquinha aos pombos, ela soltou a célebre frase. Como um pombo faminto, ele agarrou a casquinha, digo, a moça. Meu amigo veio me dizer que eu te amo nessa idade, não é eu te amo de amor, é eu te amo de 'já está na hora de transar com vc'. Sábias palavras.

E segurando a mocinha pela cintura, lá se foi o garoto de peito estufado esticando o olho para a bunda da coleguinha, como um pombo que devora uma casquinha de pão de francês mas já pensa na casquinha de croissant. E veja bem, um croissant do Benja, um senhor quitute. Croissant aos pombos!

5 comentários:

Priscila Cellino disse...

Caraca ci!!a curiosidade da gente em ver o casalzinho se transformou em um puta texto!!!mtoo bomm!!!e concordo com vc!o eu te amo q ela disse foi so pra chama a atençao, um eu te amo q de amor nao tem nd... um eu te amo q na verdade ta mais pra gosto um pouco mais de vc do q do justin bieber. Sei la... eu te amo eh para ser falado qnd vc tem ctz do q diz!! adorei ci!Alias AMO (com amor msm e letras maiusculas) o q vc escreve!!!

Soy Jo disse...

Usted ficas muy sexy quando ablas assi. Poderôsa e impiêdôsa. Me gusta las mujeres assi. Jo siempre tierngo palavras brilhantes, por que jo tiengo palavras de amor.

Asta luego my amor

Leticia Born disse...

Cí, nossa se eu estivesse com você nesse momento que você descreveu, compartilharia sua agonia!
Seus textos são demais!

Que jornalista o quê, você tem que ser escritora. E é sério.
Beijos,

Ronnas disse...

hahahah gostei da comparacao pombo/croissant, menino/menina.
Muito boa... o Binho tem razão!
Gostei!

Bj,
Ronaldão

Th-Alice Star disse...

Nossa... Eu amei! É estranho como meninas às vezes perdem o amor próprio por causa da atenção de um Zé Bunda qualquer. Não estou criticando, já tive essa fase e talvez na hora do desespero e carência ainda volte a ser protagonista de um momento ridículo semelhante a esse... Mas creio que é tudo questão de tempo. Uma hora todo mundo aprende que esses "amores" nunca foram amores. Talvez sinta muito pelo tempo perdido, talvez mude e se torne ácida, talvez não ligue e continue com as cenas desnecessárias... cada um se porta de um jeito frente às babaquices da vida.
Obrigada por escrever. Você é uma ótima blogueira. AMO ler os seus textos, estava triste e voltei a me inspirar. Parabéns por tudo. Beijos.