terça-feira, 27 de julho de 2010

Bom dia

Sabe, das coisas mais bonitas que você me disse, de todas as declarações de amor, de todas as cartas, incontáveis cartas, doces cartas, de tudo que você me disse olhando nos meus olhos, o que eu mais gostava de ouvir era o 'bom dia'.

Porque é simples, porque era espontâneo e você ainda tinha a voz meio arrastada de sono. Geralmente você estava pelo quarto tentando se desvencilhar do lençol e correndo para o banheiro com a toalha na mão. Sempre atrasado. Mas entre o relógio despertando pela quinta vez e a urgência da barba por fazer, você parava, sorria e me desejava bom dia. Ô se era bom. Excelente. E mais uma vez eu me apaixonava.

Gostava também quando era domingo. Sem pressa. E você me acordava com aquele bom dia sussurrado. Seu romantismo nunca foi aquele romantismo de filme, com direito a rosas pelo quarto ou café na cama. Que bom. A gente não gostava disso. Mas o bom dia sussurradinho, huuuum. Como quem implora para não parar de amar antes das três da tarde, você ia esticando o braço e me envolvia e eu ainda com o corpo molinho de sono ia me deixando por sua conta. Pra sempre a cada manhã.

A gente se acostumou com o bom dia apertado da minha cama de solteiro. O bom dia cansado da noite anterior. O bom dia que se prometia boa noite, porque logo mais a gente ia ficar junto de novo e de novo e de novo. Sinto falta de tanta coisa. Mas a lembrança do bom dia é que dói. Dói quando não tem sua você ocupando três quartos do meu travesseiro às oito da manhã, nem o beijo apressado na porta do 102.

De todas as promessas e juras de amor eterno, o seu bom dia valeu mais. Porque era o mais sincero, era íntimo, era só de nós dois até quando era com as meninas se arrumando pra faculdade. Era você me prometendo, feito gente grande a uma criança, que tudo ia dar certo. E eu, criança, acreditava. E dava. E se não desse, você tava comigo. E estaria na manhã seguinte. E a certeza de que seria assim pelo resto de nossas vidas fazia do meu dia, sempre o melhor dia. Felicidade plena.

Se eu ligar qualquer manhã dessas, perdoa. É esse costume de ser feliz que não me larga.

4 comentários:

Anzi disse...

so sweet..

Chris disse...

Falar mais o que?! Lindo!

Anônimo disse...

Eu adorei. Lindo.
Sinto saudades deste Bom dia!
Ne

Th-Alice Star disse...

Ahhhhh... O "bom dia"! Talvez ele seja lindo porque você acorda e diz: "Não era sonho, não era coisa da minha cabeça, eu não bebi demais... Ele é 'meu'" Assim entre aspas, uma "possessividade" maleável, reversível, equívoca... Mas naquele momento o bom dia é nosso. É a gente que escuta. Sentimos felizes por sermos nós mesmas, porque somos foco do "Bom dia" de quem amamos. E isso é tão tão tão lindo. E faz falta quando acaba.
Obrigada por escrever, sou sua fã pelo simples fato de você transformar qualquer assunto em algo inspirador. Beijos.