segunda-feira, 28 de junho de 2010

Eu, eu mesma e é isso aí

Chegou do trabalho mais cedo. Dia de jogo. Brasil e Chile. Não estava afim de fazer nada. Recusaram seu convite e ela simplesmente não queria aceitar o convite de mais ninguém. Sem barzinhos, sem muitas cervejas, sem cornetas, só ela.

Às 3 e meia em ponto estava em casa. Ligou a tv e foi se trocar, por 'se trocar' entenda tirar a calça jeans, os sapatos e colocar uma pantufa. O único traço de torcedora que lhe restava era a camisetinha branca e o 'Brasil' em azul, era o máximo de verde-e-amarelo que ela conseguia figurar naquela segunda-feira morna.

Enquanto ouvia o hino nacional e todos os rituais próprios desses jogos arrumou seu kit-sozinha-em-casa: cigarro, vinho, notebook e o bom e velho companheiro de sempre (rock and roll, óbvio). Foi para a sala e assistiu ao primeiro tempo com o mesmo ânimo de quem abre um pacote de bolacha quando está sem fome. Não que não gostasse, mas simplesmente não estava no clima, estava afim de se curtir e foi o que fez... Ficou ali com seus pensamentos e um barulho de vuvuzela do apartamento ao lado. Quando perdeu de vez o entusiasmo pelo jogo e nem aquelas coxas a faziam prestar atenção no 2x0 que seguia, decidiu assistir a segunda temporada de Sex and the City.

Lá estava ela: fumando, bebendo, trajando apenas uma camiseta, ouvindo Jimmy Hendrix e assistindo a uma engraçada cena de sexo de um seriado americano. Mais deprimente impossível. Mas ela se sentia tão confortável, tão deliciosamente ela mesma... Que começou a imaginar o que pensariam se a vissem daquele modo... Cabelo despenteado, largada no sofá, cara de sono, mas era ela, puramente ela, sem intervenções, sem disfarces, sem jogo de luz ou de palavras.

Ela era exatamente aquilo ali. O conforto do vício na ansiedade, o programa ruim de televisão, a euforia da música boa e a delicadeza da pouca roupa. Assustadoramente ela mesma. Se pudesse fotagrafar-se naquele momento, seria um retrato fiel, dos mais fiéis que se pode ter, daqueles que contam com a disposição mais honesta e perfeita dos elementos que o compõem. Mais do que uma foto de sorrisos na festinha, mais do que a maquiagem impecável de uma noite de sábado, o gesto costumeiro de jogar o cabelo de um lado pro outro, mais do que a piada sexual que nunca falha... Era aquela cena... Era aquela não-fotografia que a revelava. E era exatamente assim que ela se gostava mais.

3 comentários:

Rugal disse...

sensacional..

Rugal disse...

sensacional..

Th-Alice Star disse...

Muito bom. Acho que o momento em que mais somos "nós mesmos" é quando estamos sozinhos. Ali poderemos deixar de lado a preocupação em sermos vistos, criticados, fotografados... Podemos chorar, rir, ficar com cara de nada... Podemos ficar com a roupa que quisermos, ou sem roupa... Podemos tudo. Tudo que nos faz ser único.