quarta-feira, 29 de abril de 2009

Poesia abstrata no concreto

Tem alguém querendo lembrar à metrópole que ‘O amor é importante. Porra’

Muros, viadutos... Na verdade, qualquer pedaço de concreto gelado parece servir. Dá para fazer um mapa, traçar os caminhos por onde a frase tem ecoado surda, mas não muda, por onde o amor tem se achado em merecido destaque. “O amor é importante. Porra” tem muito a dizer.

O autor da já célebre frase continua incógnito. Ninguém sabe quem foi e quem sabe parece não querer falar. Jornais especulam quem seja. Estranha essa curiosidade por um nome. Talvez, Porra seja um tipo de apelido, e logo mais pedestres e motoristas serão surpreendidos por novas obras desse autor desconhecido. ‘ass: Porra’. Melhor do que saber quem foi, seria saber ‘por quê?’. Uma tentativa de desabafo depois de um fora? O sentimento de rejeição após se entregar aos prazeres efêmeros do sexo sem compromisso? Uma indignação com as desigualdades sociais? Uma vontade de mostrar que apesar de tudo e de nós mesmos, certas coisas precisam ser disparadas como um grito para que sejam lembradas? Estaria bêbado?

Seja lá quem for, é sucinto, é direto, é objetivo dentro da infinita subjetividade de tantas possíveis interpretações. Quem lê entende como quer, como lhe cabe, pode parecer um golpe desferido no estômago, pode parecer um grito de guerra no meio caos. Pode parecer um carinho para quem está só. Pode ser a esperança de um desiludido. E tem aquele que enxerga crime onde outros vêem poesia. Enxerga, mas não vê. Olha, mas não sente.

Pode-se dizer que é grafite, golpe publicitário, grosseria das bravas. No muro da Consolação foi entendida como pichação. E pichação é vandalismo. Jogaram tinta por cima, preferiram cobrir o que há tempos precisa ser escancarado. Alguém aí diz que é verso, por favor?

2 comentários:

Daniel V. Cot disse...

Poesia demais atrapalha a vidinha de alguns.

Querida....

A poesia morreu!

Oskar disse...

É um bom desabafo.
"O amor é importante porra!"