quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Fazendo o caminho ao contrário...

Desde que historiadores começaram a escarafunchar a história da humanidade que nós sabemos que o homem, ainda que sob forte repressão e aparentemente conformado, sempre teve a sementinha da revolta dentro de si.

Transformações se enraizaram no cerne da sociedade como se fossem de nossa natureza, certas coisas nem se discutem mais, pois se tornaram comuns que até esquecemos o quanto de merda foi jogada no ventilador para que pudéssemos desfrutar delas, se tornaram corriqueiras.

No século XX nossos pais e avós desejaram o fim de guerras, pregaram amor livre, viram mulheres queimarem sutiãs em praça pública e viram também um monte de relações serem interrompidas, criadas e mudadas no meio de tudo isso. Enfim, viveram em anos de profundas mudanças.

E quando começamos (quem tá lá com seus vinte anos)a andar com nossas próprias perninhas, não precisamos brigar por (vou me ater aqui a fatos ligados à relações mais íntimas e pessoais) liberdade sexual ou pelo direito de nos expressarmos como bem entendêssemos. Muita coisa ainda tem que ser mudada, mas em geral, os filhos da classe-média dos anos 80 nasceram sem precisar gritar, sem motivo de revolta, só curtindo a sensação de calmaria de um cenário agitado há pouco tempo.

E depois de tantas conquistas e de convivermos com as novas normas que elas implantaram, vemos que muitas delas acabam sendo escancaradamente mal exploradas. A liberdade sexual virou putaria gratuita e a liberdade de expressão nos obriga, todos os dias, a entrarmos em contato com um monte de especulações e porcariadas que não podiam ser imaginadas anos atrás.

Muita gente ainda tira proveito disso ao máximo, a grande maioria, na verdade, mas podemos ver também que tem quem queira fazer o caminho inverso: não o de voltar a como era antes, mas resgatando valores que se perderam no meio de tantas mudanças que não foram interpretadas e nem aproveitadas da melhor maneira.

Enquanto muitos expõem em praça pública a sua liberdade sexual e comemoram como um troféu cada noite de sexo com alguém diferente, outros se aproveitam do 'amor livre' para amar, antes de qualquer coisa. Enquanto alguns jovens aproveitam de toda autonomia que seus pais lhe ofereceram, outros só querem ficar em casa, curtir a família, conversar com a mãe que acabou de chegar pro jantar, atar um pouco desses laços que tanto se diluíram ao longo do tempo.

De repente, um tanto de coisas foram conquistadas e todas, claro, têm seus méritos, mas aí tudo ficou tão fácil e tão banal que a gente olha pra trás e dá vontade de resgatar um outro tanto de coisas. Fazer o caminho ao contrário não significa um retrocesso ideológico ou um ataque patético de nostalgia... É que enquanto o mundo se sacudiu para mudar, muita coisa caiu no chão e ficou pra trás, sentimentos e atitudes que não merecem ser esquecidos e que não precisam ser vividos como antes, mas que precisam ser resgatados, trazidos até os nossos dias para que todas essa mudanças possam, de uma vez por todas, serem vivenciadas da melhor maneira possível, antes que outras venham e se amontoem ao erro de agora.

Dá vontade de recuperar um pouco da inocência que se perdeu quando todo mundo amadureceu mais cedo, vontade de se prender na barra da saia da mãe quando ela tem que sair pro trabalho... Dá vontade de por um disco velho na vitrola e sentir que há muito tempo não se fazem mais coisas assim (mas que as que foram feitas serão eternas), dá vontade de fazer algumas pessoas calarem a boca porque se acham no direito de se expressar o quanto querem, mas, por fim, só repetem o que já cansamos de ouvir... E dá vontade de ensinar pra todo mundo que o amor livre é bem mais bonito quando, apesar de termos muitas opções, fazemos, todos os dias, a mesma livre escolha*...

p.s.: inspiração veio daqui, ó: http://parafrancisco.blogspot.com/2008/04/sobre-o-amor.html (pode ler o blog inteiro que vale a pena)

p.s.: esse foi para o Fê, por quem eu faço a mesma livre escolha todas as manhãs =]

2 comentários:

Marcela Bonazzi disse...

Ahhhh Ci que coisa mega fofa.... Como você é nenem...

Olha, não poderia concordar mais... Acho que está tudo meio transviado, certos valores que foiram perdidos eram mais importantes que qualquer outra coisa, e as pessoas parecem não se importar...

Como sempre, não poderia concordar mais com você!!! Amo seus posts!!!!!!!!

Amoo você!!!!!
Bjssss

Fê Resende disse...

que româaaaaantica! =)