domingo, 27 de julho de 2008

"Eles passarão, eu passarinho...''

Sempre ouvi dizer que para o homem alcançar a plenitude de sua existência era necessário que ele realizasse três coisas: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.

Três coisas ligadas ao ato de semear... Semear natureza, vida e sabedoria. A primeira é necessária para que haja a segunda, que é necessária para que haja a terceira e é com a terceira que o homem vai perceber o valor da primeira. E assim, cumprindo a valorosa missão, seguirá a existência humana na Terra, na paz cíclica do ato de semear o futuro. Bonito, né?

Precisei me deparar umas três vezes com essa frase para me dar conta de que, apesar de ser tão sábia, ela era altamente frustrante! Por quê? Porque eu não quero ter que esperar tanto tempo para poder me realizar como ser humano! Afinal, plantar uma árvore ( e zelar pela preservação dela), ter um filho e escrever um livro são coisas que exigem tempo, muito tempo. Isso se você quiser fazer as coisas de modo que elas realmente possam expressar seu verdadeiro valor.

Eu até posso colocar um feijão no algodão( que ele brota de um dia pro outro!), fazer um filho em cinco minutos( numa rapidinha super rápida), juntar umas baboseiras que escrevi há séculos e dizer que tenho uma árvore, um filho e um livro... Mas aí eu estaria mentindo pra mim, fazendo por fazer e estaria há anos luz de alcançar toda aquela coisa de ser alguém completo ( melhor era correr pro Bradesco, então!).

Óbvio que eu não vou ficar me enganando, né? Mas também não vou precipitar as coisas só para preencher minha existência com aquilo que realmente é importante... Uma bela árvore demora anos pra crescer e é preciso respeitar a maneira sutil na qual ela deixa de ser semente para se tornar, enfim, árvore. Um filho agora? Não! Ainda sou muito lesada para cuidar de uma criança e tenho muita coisa pra aprender e viver antes de assumir essa responsabilidade gigantesca. E escrever o livro? Bem... esse eu vivo ensaiando as primeiras páginas, mas me falta a maturidade dos grandes autores, a capacidade de comover o leitor, o jogo interessante de palavras, coisas que eu espero que venham com o tempo...

O tempo... Então eu simplesmente deixo ele passar até chegar a hora de 'comprar' esse combo de passagens para eu ir de um simples ser humano a um ser humano superior? Nem morta! Depois de refletir muito sobre a questão eu pude concluir(nada brilhante, mas eu concluí e pronto!) que as coisas que vão me tornar uma pessoa melhor no futuro, não necessariamente fariam de mim uma pessoa melhor aqui no presente...

A proposta, então, é a mudança desses valores... Para que esperar tanto para alcançar, o que seria, o ponto máximo da minha existência? Cada etapa da vida tem seu auge, cada fase merece o direito de ter seu auge, seja ele aos 5, aos 20 ou aos 80. Aos 5 anos o auge, para mim, era plantar o tal do feijãozinho, fazer amigos na escolinha e aprender a escrever.

E foi pensando assim que eu 'concluí minha conclusão': aos meus 20 anos eu alcancei o auge da realização que se pode ter com 20 anos. Pela simples constatação de que eu tenho tudo aquilo que eu acredito que realmente tenha valor, eu percebi que eu já sou alguém muito melhor do que podem supor os quase-centenários estudiosos das causas humanas. Não é porque eu não cheguei ''lá'' que eu já num cheguei ''muito longe''


Eu entendi que eu não preciso cuidar de uma árvore frondosa, de larga copa e infinitas ramificações; basta que eu mantenha aquele carinho e cuidado pelas orquídeas que eram da minha vó, sobretudo aquelas que ela carinhosamente chamava de 'Cintiazinhas', e através de fotos e mais fotos, guardar na minha memória a lembrança mais doce que tenho daquela figura que soube amar as flores acima de tudo. E ainda sobra minha eterna paixão por girassóis(um dia ainda faço um post só pra eles) e a mania de espalhar essas sementinhas por aí.

Eu entendi também que não é o momento para ter filhos, e descobri nos meus sobrinhos a forma mais linda e mais doce que eu poderia encontrar de amor. Devo ao meu irmão e à Rô, a alegria de sentir que toda minha capacidade de amar é executada ao máximo. Devo a eles a felicidade inexplicável de ser tia da Duda e do Má, ser um cadinho mãe de meus dois maiores presentes. Sabe quando você olha pra alguém e sente o coração apertar de tanto amor? Então...

No mais, eu encontrei a pessoa certa, aquele que no momento exato vai dividir comigo a emoção de sermos pai e mãe juntos, e que, por enquanto, vai curtindo também o gratificante posto de tio de coração, o tio ''Peípi''. A ele eu também tenho muito o que agradecer, porque que ele me motiva, me encanta e tem grande responsabilidade nessa história de eu perceber que o valor do tempo é relativo, que a gente pode dar as mãos hoje e voltar a ser a criança de ontem.

E agora é hora de ser mais filha do que nunca, de aproveitar antes de começar a andar somente pelas minhas pernas, de ser mimada todo tanto que eu ainda tenho direito, de encher o saco, de brincar de lutinha, de pedir colo, de pentelhar, de rir junto assistindo ao Pica-Pau, de ficar ali só olhando e tentando aprender tudo- para que eu possa, um dia, ser para os meus filhos tudo que meus pais são para mim.

Resta, então, resolver a questão do livro... Encontrar seu representante de igual valor para a atual fase da minha vida e completar o auge da minha existência no meu hoje. Aspirante à jornalista-metida-a-escritora-boba-alegre que sou, mantenho o sonho de escrever meus próprios capítulos, vê-los impressos, publicados... Mas, como eu disse, demora, né?

Aí que eu decidi fazer desse espaço aqui o ensaio para meu 'filho de papel' e, quem sabe, desse texto, as primeiras páginas...

5 comentários:

Marcela Bonazzi disse...

Ciiiin

Que texto lindooooooooo!!!!!!!! Amei amei amei!!! Se fosse o começo de um livro eu comprava!!!!!!!!!

Disse tudo e mais um pouco!!! Não tem que apressar nada na vida não, tem que seguir o fluxo...

Amo amo
Beijooos
Muffin!!!!!

Marcela De Mingo disse...

ainnn cí!
já falei que vc é mega fofa?
por isso que é parte do meu muffin! (há! pegou a piadinha cretina)

e sinceramente, pra que acelerar quando a gente pode saborear cada segundo e cada experiência que ele pode trazer??

amo amo

vodca barata disse...

hahahah amei meu novo apelido.

então fia, já é um óutchimo começo que tu tenha treinado e teu noivo tenha treinado fotografar, se na próximas as duas instâncias da dupla forem bem sucedidas, faz favor de mandar a foto pra mim que eu vou amar publicar fotos de "leitora que faz" hahaha

:*

Anônimo disse...

amei o texto
Eu de longe posso dizer com certeza
que vc esta no caminho certo, basta
seguir em frente
bjs
Ivone

bel sant anna disse...

poxa, adorei seu texto!eu parei pra ler ele todo e ele é muito bonito mesmo!eu gosto muito dessa frase mas nunca pensei em qunatos desdobramentos ela pode dar né...é uma reflexão do que queremos mesmo da vida!
bjos!