sábado, 23 de fevereiro de 2008

A cegueira cotidiana...

Precisei chegar ao terceiro semestre da faculdade para perceber quantas amizades especiais eu estava perdendo. Finalmente acabei me aproximando de pessoas que, até então, não tinha muito contato e acabei descobrindo o quanto elas são especiais, e quantas coisas elas têm em comum comigo. Isso acontece com frequência, no trabalho, na vizinhança, em festas, escolas e faculdades, por algum motivo que, muitas vezes, nem sabemos qual, estupidamente nos privamos de amizades interessantíssimas.

Os motivos podem ser a timidez, um receio, um preconceito com a aparência da pessoa, um medo de não ser aceito ou, então, é aquela coisa estranha, estranha mesmo: uma cegueira cotidiana. É, isso mesmo, a cegueira cotidiana, aquela que faz com que você passe batido pelo Sol se pondo em tons únicos, que faz você ignorar aquele livro maravilhoso no criado-mudo, que faz você tomar um banho rápido mesmo quando você tem tempo, que faz você nem reparar no quão bonita estava a mesa do café da manhã naquele dia especial. Muita coisa se perde por conta dela e a chance de novas amizades se inclui na lista.

A pessoa está ali, convive todos os dias com você, vocês se cumprimentam educadamente e até batem um papo legal algumas vezes, mas por que raios a amizade não se consolida, se tem tudo pra ser uma relação legal? É essa cegueira. Não vemos, praticamente ignoramos as chances de fortalecer um relacionamento. Ficamos imersos em uma postura passiva, sem dar um passo e deixando o tempo passar. E com ele, a oportunidade vai embora, afinal, por vezes, nem as amizades mais fortes superam o tempo e a distância, quanto mais aquelas que poderiam ter sido e não foram. Viver em sociedade não é simplesmente dividir espaço com outra pessoa, é dividir todo um conjunto de coisas que vocês têm em comum, é conviver. E dessa convivência pode surgir um sentimento especial, uma cumplicidade, a amizade.

Contudo, enquanto continuarmos com aquele tipo de (não-) comportamento, absolutamente cegos para as coisas que realmente têm valor no nosso dia-a-dia, momentos, coisas e pessoas continuarão a cruzar nossos caminhos sem que deixem boas lembranças, sem que façam a diferença e preencham aquele vazio, sem que nessa troca intensa, parafraseando o poeta, deixem um pouco de si, levem um pouco de nós. E pior do que o vazio de se sentir sozinho é saber que esse vazio foi uma escolha na qual aquela cegueira cotidiana não nos deixou outra opção.

2 comentários:

escondidonagaveta disse...

Pois é, Ci, quanta vezes não deixamos passar momentos, pessoas e sentimentos que para o nosso futuro serão mais que importantes? Cegueira cotidiana sucks, ainda mais porque por mais que nós tentemos, é muito difícil curá-la. A pressa e a incerteza da vida sempre nós jogam para a segurança do nosso círculo seguro da sociedade, o que nos faz desconfiar e evitar o novo, continuar cego para manter a própria sanidade...
Haha se eu te contar q meu post de hoje tá bem parecido com o seu você me bate! ahuhauhauh Vai lá dá uma olhadinha no meu blog tbm??? Beijinhos, Marcela (do mack!)

Marcela disse...

Muito orginal o que eu vou dizer agora, mas adorei esse seu post!!!!!!
Sabe que hoje eu tive um baque sobre amizades também??? Engraçado como a gente precisa de um empurrãozinho pra perceber certas coisas que estão ali a tempos já não???????? A vida e suas peripécias....

Bjssssss
Marcela (do mack!)2